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OPINIÃO

A Sarah é nossa, por Wellington Soares

Publicado em 04/07/2011 às 17:34 h
Como se não bastasse tanta notícia ruim na imprensa local, esta semana ainda tivemos que ouvir mais uma: a possibilidade de nossa judoca Sarah Menezes deixar o Piauí para treinar no Rio de Janeiro. Motivo: falta de patrocínio e estrutura. Imagine se ela não fosse titular da seleção brasileira e quarta colocada no ranking mundial de judô. Sem falar, é claro, de uma das grandes promessas do Brasil para as duas próximas olimpíadas. Os convites de fora já começaram a aparecer, como são os casos do Flamengo e do Fluminense, times cariocas interessados no talento da lutadora piauiense a fim de reforçarem suas equipes de atleta. Para tanto, oferecem alojamento, melhores condições de treinamento e uma nada desprezível ajuda de custo. Ou seja, caso os governantes e empresários daqui não façam nada, os loiros das conquistas de Sarah ficarão lá fora, como se a vida toda ela tivesse se preparado e treinado no Sul do país.

Triste de um estado incapaz de valorizar seus atletas. Mais triste ainda, ao deixar que partam por não lhes oferecer as devidas condições. Uma atleta de nível internacional, como a Sarah Menezes, não era para vir a público expor situação tão constrangedora. Logo ela que levou a bandeira e o nome do Piauí aos pódios mais importantes do Brasil e do mundo. A atleta que, com as suas espetaculares vitórias, nos enche de orgulho e um baita sentimento de piauiensidade. Se tivéssemos vários atletas desse porte, mesmo assim seria imperdoável tamanho descaso. Agora, perder umas das poucas, se não a única que temos, é algo que beira à insanidade e ao absurdo. Em passado recente, para quem não lembra, já perdemos para a Bahia um outro judoca extraordinário, Benito Mussoline, que se viu obrigado a deixar a terrinha justamente pelas mesmas razões.

Mal sabem governantes e empresários a dureza e o tempo que se leva para formar atletas de nível olímpico. O trabalho requer muitos anos de preparação e uma boa dose de sorte. Dedicação, perseverança e determinação são as marcas dos que abraçam as distintas modalidades esportivas. Quase sempre abrindo mão de uma vida social para se dedicarem integral e obsessivamente à conquista das medalhas. Daí os atletas serem, geralmente, pessoas solitárias e perfeccionistas, numa eterna luta entre os desejos e os limites físicos. De muitos que competem, somente alguns chegam ao seleto grupo daqueles que firmarão o seu nome na eternidade e no coração dos fãs. Esses são, como diria Brecht, os imprescindíveis. Sarah Menezes é, não tenhamos dúvida, um deles, uma vez que nasceu para brilhar nos tatames e servir de exemplo aos futuros judocas do Piauí.

Os títulos conquistados pela Sarah Menezes, durante todos esses anos, demonstram a sua grandeza e o amor devotado ao judô. Dentre tantos, enumeremos os seguintes: Campeã Mundial Júnior em 2008, Holanda; Medalha de ouro na temporada de 2009 nas Copas do Mundo de Madrid; Medalha de Bronze no Campeonato Mundial de Judô de 2010, em Tókio; e, por fim, eleita a Atleta do Ano, em 2009, pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Se depender dela e do Expedito Falcão, seu treinador e professor de judô, Sarah permanecerá no Piauí, conforme fez questão de destacar em recente entrevista: "Para ser sincera, eu não quero sair. Quero continuar treinando aqui. Gosto do meu treinador, da minha família por perto, dos meus companheiros de treino?. Os recursos necessários para mantê-la aqui, algo em torno de 8 mil reais/mês, implicam uma importância insignificante diante das alegrias e da elevação de nossa autoestima que as suas vitórias nos proporcionam. Tomara que os políticos e os empresários locais consigam enxergar o que está em jogo no momento, antes que seja tarde demais.

Wellington Soares é professor e um dos fundadores do SALIPI.

Fonte: AUTOR |  Editor: Jacinto Teles

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