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OS LIMITES NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Publicado em 22/06/2010 às 18:56 h
Alessandro Vianna

No início de maio, uma garota de 15 anos entrou num hospital em São Paulo, fingiu-se de estagiária, pegou um bebê dos braços da mãe alegando que daria uma “voltinha” com ele no corredor e o furtou; levando-o para casa.Depois de algumas horas, seus pais a levaram para a delegacia e o bebê foi devolvido à mãe desesperada.Esses pais agiram bem ou mal?



Talvez não haja tarefa mais difícil e incerta do que criar filhos. Eles são diferentes entre si e nunca temos a certeza de que estamos acertando, a não ser quando começamos a perceber resultados.

Quando a conduta de um filho não está a contento, começamos a agir. Mas, muitas vezes, essa ação é equivocada, piorando ainda mais as coisas.

Em meio à vastidão de possibilidades que o assunto suscita, uma das prioridades é a questão dos limites.

Reizinho ou princesinha em casa, nossos filhos precisam ser preparados para serem pessoas comuns perante esse mundo de quase 7 bilhões de habitantes; onde nem sempre os pais, avós, tios e padrinhos estarão por perto.

Se a garota tivesse 18 anos, seria presa e seus pais não poderiam evitá-lo.

Então, de nada adianta superproteção se ela não acompanhará a criança pela vida toda. Portanto, nossos filhos têm de aprender a viver em sociedade, enfrentado contrariedades, frustrações, imposições e decepções; sobrevivendo a tudo isso.



Então, como educá-los?

Em primeiro lugar, temos que educar nossos filhos para o mundo.Então devemos excluir dos critérios as nossas culpas - por mais que possam ser reais - e as "compensações" por elas.Afinal, o mundo não leva nossas culpas em conta; sejam elas reais ou não.Se também estamos de acordo quanto ao fato de que umas coisas não compensam outras (filho não é negócio), então vamos em frente. Dr Alessandro Vianna (vide foto em alta, em anexo)

Se os pais dão aos filhos tudo o que querem, quando crescerem acreditarão que o mundo tem obrigação de lhes dar de mão beijada tudo que desejam.

Se ninguém faz nada quando esbravejam, choram de pirraça ou chingam, vão considerar-se interessantes e pensar que o mundo vai admitir isso.

Esperar que eles tornem-se maiores de idade, para só então aprenderem sobre moral e espiritualidade, é algo muito perigoso.

Não deixe que eles pensem que sempre haverá quem apanhe tudo que eles deixam jogado pela casa (livros, roupas, sapatos, etc...), porque isso pode ensiná-los que sempre alguém fará tudo para eles e que podem jogar sobre os outros toda a responsabilidade pelos seus atos.

Evite discutir com frequência na presença deles. Se não, eles nunca farão nada para evitar que o seu próprio lar se desfaça mais tarde.

Nunca lhes dê todo o dinheiro que querem. Assim que possível, deixe-os ganhar seu próprio dinheiro.Passarem pelas mesmas dificuldades que você já passou vai ensiná-los como você aprendeu e não vai matá-los, como não matou você.

Cuidado ao tentar satisfazer todos os seus desejos de comida, bebida e conforto.Já ouviu falar de jovens que não dão valor a nada ? Ou de jovens que não sabem lidar com frustrações?

Na justa ânsia de defender seu filho, cuidado para não tomar todas as vezes o partido dele contra vizinhos, professores, ou policiais. Se não, vai parecer que ele é perfeito e nunca erra.Ou ele vai acostumar-se a se sair bem mesmo quando estiver errado.

Não seja omisso.Quando ele se meter em alguma encrenca séria, não dê desculpas do tipo "Eu nunca consegui dominá-lo mesmo".

Não faça promessas que não possa cumprir; seja um prêmio ou um castigo.

Nunca troque atenção e presença por presentes ou libertinagem.Se o tempo com o seu filho é pouco, engrandeça-o com qualidade (atenção, criatividade e bons exemplos).

Se você é separado e o filho mora com você, não tente substituir a falta do pai ou da mãe com bens materiais e liberdade excessiva.Além dessa substituição não acontecer, ele vai estar vivendo além dos limites indevidamente.Se você é o visitante semanal, mantenha as regras e dedique-se ao máximo em atenção e presença efetiva.

Proíba-se de falar mal do seu ou sua “ex” para o filho de vocês.Nunca use o filho com arma frente ao “ex”.Se vocês não conseguiram permanecer unidos, ao menos poupe seu filho dos seus litígios.

Conversando com o seu filho, estimule-o a falar e ouça.Quando falar, seja construtivo, faça-o perceber que o ama e mostre o que espera dele.

Explicando-lhe as suas expectativas sobre ele, nunca o compare com ninguém; mas leve-o a enxergar o seu próprio potencial.

Saiba escutar o seu filho, mas nunca deixe que ele próprio conduza o seu processo educativo.Esse papel é seu, que já tem idade e experiência para isso.


Psicoterapeuta Alessandro Vianna - especialista em relacionamentos, atende crianças, adolescentes, jovens, seus pais, escolas e pacientes que sofrem de depressão, compulsão e síndrome do pãnico.

Fonte: autor |  Editor: Orlando Portela

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